• Ronaldo Gomes dos Santos

Venom: Tempo de Carnificina

Passado um ano depois dos acontecimentos do primeiro filme, Venom: Tempo de Carnificina mostra Eddie Brock, Tom Hardy, com problemas de se acostumar na vida com o simbionte Venom. Na busca de seu reestabelecimento como jornalista, Eddie entrevista o assassino em série Cletus Kasady, Woody Harrelson, que também portará um simbionte chamado Carnificina e que acaba escapando da prisão após sua execução falhada. O roteiro é recheado de momentos engraçados proporcionados por piadas situacionais do cotidiano do jornalista. O roteiro de Tom Hardy e Kelly Marcel acerta no timing cômico e investe pesado no humor mais pastelão dessa relação, mesmo que isso fuja completamente das características originais vilanescas e aterrorizantes de Venom – que aparece, em diversos momentos, mais vulnerável. O diretor Andy Serkis, de Mogli: Entre Dois Mundos, consegue equilibrar melhor os elementos cômicos (relação de Venom e Eddie Brock) com os elementos de terror (arco do Carnificina) do que o original, mesmo com diversos problemas ao estabelecer Cletus Kasady e sua versão de ameaça simbionte. O hype da sequência cinematográfica do primeiro filme lançado em 2018, estava alto em virtude da adaptação do anti-vilão, Venom, ter sido uma verdadeira surpresa no cinema de super-heróis por causa de seu enorme sucesso de bilheteria, arrecadando mais de US$ 854 milhões mundialmente

A narrativa do longa apresenta alguns problemas em sua tentativa de apresentar Cletus Kasady – personagem que foi apresentado na cena pós-créditos do primeiro filme, isso se deve ao fato do personagem soar muito caricato em boa parte do tempo, isso acaba combinando com o tom de galhofa experimentado pelo filme, mas sim o desenvolvimento de todo o arco do Carnificina. A experiencia em 3D tornou mais agradável a visão das cenas que tinham como foco a relação entre Venom e Eddie Brock, embora os acontecimentos relacionados ao antagonista acabam apressados, principalmente os personagens coadjuvantes. Michelle Williams retorna como a ex-mulher de Eddie Brock, Anne Weying, mas tem pouco a fazer, e o destaque negativo fica para a apresentação de Naomie Harris, que aparece como a vilã Shriek ou seu alter-ego de Frances Barrison, porém, sua personagem não tem desenvolvimento e serve apenas como interesse amoroso e motivadora das ações de Cletus Kasady, com a relação entre os dois criminosos remetendo diretamente aos filmes Bonnie e Clyde - Uma Rajada de Bala e Assassinos por Natureza – que é estrelado por Harrelson.

07 de outubro de 2021 No cinema / 1h 37min / Ação, Fantasia Direção: Andy Serkis Roteiro: Kelly Marcel, Todd McFarlane Elenco: Tom Hardy, Woody Harrelson, Michelle Williams Título original Venom: Let There Be Carnage